sexta-feira, 9 de abril de 2010

MANHÃ DE CHUVA!!!!


O dia, escuro, tomba
sobre a relva húmida do olhar.
A mão que tensa escreve
torna-se numa pedra.

O que resta à viola das palavras
senão o último dedilhar,
a acácia apertada entre os dedos,
setembro ao fundo,o Nero a ladrar no quintal,
tu a fechares a porta do último dia.

Chove hoje na janela onde nasce
o outro lado do mundo.
As sombras dos pinheiros dançam
sob os pássaros, aninhados num crepúsculode águas.

Estrangeiro em quatro estações
de esquecimento, deixa cair na terra os joelhos
das tuas preces.

E volta, volta sempre à casa onde o Nero,
eterno, ladra à tua espera.
Entre as altas e brancas figueiras da chuva.

Eduardo BETTENCOURT PINTO

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